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ciberleitor(es) online
vou-me embora pro vale
Vou-me embora pro Vale. Entre Pasárgada e Parnaso. Onde é bucólico como Arcádia. E a beleza se conserva natural. Como um pedaço do Paraíso.
Com a mochila nas costas e a poeira nos pés, subirei morros e farei trilha. Deixarei os meus passos lado a lado às pegadas dos animais. Caso algum passarinho venha me acompanhar.
Encherei os meus pulmões de ar puro para descongestionar a alma e o espírito. Deixarei a brisa acariciar o meu semblante. E encontrarei afago deitado ao capim.
Tomarei banho de rio. Nos chuveiros das cachoeiras. Enquanto a água leva os pensamentos. No córrego, sem pressa e com paciência, pescarei o jantar.
Fogão de barro, panela de ferro e colher de pau. Com folhas secas e gravetos pelo chão, farei fogo da forma mais primitiva. O tempero é simples com gosto caipira.
Contarei as estrela que nunca vi. Entorei um cântico com os grilos e as rãs. E a coruja velará o meu sono. Quando eu adormecer sem querer...
~oOo~
PS: Esse post paródico é apenas para dizer que estarei desblogado por uns dias. Completamente, desconectado da urbanidade de nosso mundo. Sem computador, sem celular, nem relógio (por que ficar contando os segundos se o dia e a noite serão os melhores referenciais?). Nem livro estou levando para me acompanhar. Irei ler horizonte a cada alvorecer. Também não estou levando máquina fotográfica. As melhores lembranças guardamos no coração. E são inesquecíveis...
Escrito por Dígito às 07h21
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postes repintados
Os postes de iluminação da via pública estão sendo repintados. Estão branquíssimos como os meios fios.
E não foi por acaso. Eu sei que existe uma subliminar campanha de trânsito. Querem dizer ao subconsciente dos motoristas que os postes não são de plástico nem de borracha.
Escrito por Dígito às 07h15
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casa.mami(janta);
Comidinha da mamãe. Tem coisa melhor? Almoço todos os dias no Centro, obrigatoriamente (isto é, por falta de opção). Senão, fico em eterno jejum diurno. Do self-service ao a la carte, nenhum se compara às especialidades gastronômicas de comida feita em casa.
Não é o Sazon. É amor puro e verdadeiro mesmo, naquelas mãos que preparam o alimento. Não sei explicar. Acredito que não é necessário. Todos entendem o que estou tentando dizer. E por mais simples que seja - um arroz e feijão básico -, só as mamães têm esse dom. Poderíamos teorizar que torna-se uma relação freudiana de vínculos metafísicos. Do cordão umbilical ao leite materno, da papinha às guloseimas, da gororoba às experimentações culinárias, estamos sempre unidos e dependentes ao redor da mesa. Parece loucura, mas os almoços de domingo são sagrados.
Só há um porém depois de jantar na casa da mamãe, tenho pesadelos horríveis...
Escrito por Dígito às 07h53
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planalto.central(cerrado);
As árvores descabelam-se. A grama está pálida, mas resiste pela raiz. Um vento ruivo embala as folhas pelo chão. As vassouras dançam pelo quintal.
Tosse, tosse, tosse. A garganta está seca. Os lábios brilham por manteiga de cacau. Os pulmões procuram um pouco de ar. E como diz a sabedoria popular: "nessa época, respira-se poeira e cospe-se tijolo."
Mas nem tudo está perdido. Heroicamente, os ipês florescem. Como um buquê do cerrado. São roxos, brancos e amarelos. Bonito de se ver e sentir a fragrância de suas cores...
Escrito por Dígito às 07h15
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