blogdigito@yahoo.com.br
ciberleitor(es) online
miséria
Na miséria não há poesia. Qualquer metáfora é uma burguesa e hipócrita ironia. Não existem palavras que descrevam o seu significado. Uma imagem talvez possa impressionar. Mas, é sempre um retrato distante, bizarro e surrealista.
Quantos de nós já sentiu fome? Isto é, fome no seu sentido mais cruel, infame e pessoal. Não aquela coceira gulosa no estômago provocada pela inquietação das lombrigas e reclamação dos vermes. Fome que devora a dignidade, a cidadania, a humanidade. Fome que animaliza as vontades e ações. Fome sem paladar nem olfato. Porque, há somente um abismo no corpo que enterra a alma.
Observo. Alguém remexe o lixo. Entretanto, não está a procura de recicláveis - papéis, plásticos, vidros ou metais. Fuça tudo aquilo que foi mal comido, mastigado ou cuspido. Mas, não se importa. Seus dedos engordurados apenas buscam um pedaço de carne...
É nojento, degradante, repulsivo... Mas as pessoas passam indiferentes... Desviam o olhar e a consciência... Contudo, não poderia eu também ficar paralisado. E foi muito pouco o que pude fazer. Dei-lhe um tíquete refeição.
O que mais poderia eu fazer?! Um jejum e uma oração?! O que mais, meu Deus?!
Tentei também não me emocionar... Mas não consegui... Uma lágrima escorria pelos cantos indignada e impotente.
~ oOo ~
PS: Desculpe-me por um tema pouco agradável para uma sexta-feira. Dia em que nos perdemos em excessos e nos embriagamos de ilusões e futilidades. Mas mesmo assim, um ótimo final de semana.
Escrito por Dígito às 07h41
[ ]
[ envie esta mensagem ]
sistema indisponível
Quando não consigo blogar, tenho sempre a sensação que me censuram e me amordaçam. E silenciam minha inspiração com um corte profundo em tudo que tinha a dizer.
Até tento, mas não consigo. Acredito que cada coisa tem o seu lugar. Cálculos no Excell, apresentação no PowerPoint, imagens no Photoshop, documento no Word, codigo-fonte no Context, diagramas no PowerDesign... E diário no editor do blog.
A prosa e o verso, a filosofia e o pensamento, a ironia e o riso nascem digito a digito. Sem planejamento nem rascunhos. Uma geração espontânea e primitiva.
E ganham vida não pelas mãos incertas do escritor. Mas nas pupilas de quem leu...
Escrito por Dígito às 13h34
[ ]
[ envie esta mensagem ]
ilusão vital();
Mundo perfeito. Onde?! Homens humanos. Quem?! Democracia. Quando?! Igualdade. Como?! Por que o Ideal é apenas sinônimo de uma Ilusão Vital?!
Caminhamos com a esperança de chegar em Zion, Paraíso, Céu... Mas os pés estão sujos e as mãos se escondem. Trabalhamos dia e noite. Já é tarde. Quando não temos pesadelos, ficamos com insônia. Contudo, na gaveta há sempre pílulas coloridas para cada sombra na alma.
E nos dizem que é preciso acreditar. Ter fé. "Eli eli lama lama sabactani". Há espinhos na cabeça e marcas pelo corpo. Mas que a alma vague em paz.
Escrito por Dígito às 12h19
[ ]
[ envie esta mensagem ]
urbanópolis();
Impressões contemporâneas. Pombas se lavam em poças de água podre. Bicam restos de comida. Trash food. Voam assustadas. Buzinaço. Seriam elas uma metáfora irônica de nosso maravilhoso mundo moderno?
O Sistema nos enjaula. Mas fomos nós que nos entregamos voluntariamente à Subserviência dos Empregos e à Servidão dos Cartões de Crédito. Sobrevivência!? O Centro nos engole com a voracidade do Capitalismo. Alimentamos a dinâmica dos processos com o óleo de nosso suor e sinapses eletrizantes. Mas depois, somos cuspidos. Não há reciclagem.
Anjos caídos. Perdemos as asas... E nos rastejamos por ninharias...
Escrito por Dígito às 08h37
[ ]
[ envie esta mensagem ]
inverno(const dia);
Manhã fria. O vento rasga o semblante como uma navalha. Um corte cego e sem destino. O corpo estremece e procura abrigo. Ou um abraço ou um carinho.
Felizes são os corações apaixonados... E dura a estrada de quem caminha sozinho. Sob estrelas polares e uivos do inverno...
Contudo, que um sorriso descongele todos os sentidos....
Escrito por Dígito às 07h46
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|