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ciberleitor(es) online
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As pessoas perguntam meu nome. Mas qual a importância?! É apenas uma combinação de caracteres formando palavras. Simplesmente, pré-nomes e sobrenomes. Que se parecem numa lista telefônica ou se familiarizam no cotidiano. Ou ainda, eternizam-se numa lápide abandonada no cemitério.
Para o Receita, sou apenas CPF. Para o banco, CC. Para a polícia, RG. Para o comércio, SPC. E para os políticos, Título de Eleitor. Então, sou apenas um número ou um conjunto de inteiros. Um registro contabilizado nas estatísticas. Um campo nas planílhas e relatórios. Um operando nos somatórios alheios.
Sou apenas Dígito. Um dígito entre tantos outros. Formando, trabalhando e mantendo o Sistema. Setado entre Vazios. Anônimo por instrução. Sem rosto, sem forma, sem identificação. Meu significado em cada (pre)conceito. Entre o amor e o ódio; a admiração e a inveja; a lembrança e o esquecimento.
Não uso máscaras. Mas meu signo é Enigma com ascendente em Mistério. Ainda não apagaram minhas digitais e sei quem sou...
Escrito por Dígito às 07h16
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quinta.feira(segunda.feira);
Quinta-feira com cara de segundona. Ontem, liguei a TV para assistir o Fantástico. Caramba, era o JN. Hoje, acordei preparado para enfrentar uma longa semana.
E amanhã... Amanhã é sexta-feira!
Escrito por Dígito às 07h24
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Aniversário de Brasília. 44 anos. Os filhos dos candangos já são pais de adolescentes ou até avós precoces.
Brasília chega à meia idade com suas glórias e seus problemas. Está cada vez mais cosmopolita. Já não é mais uma metrópole com ares do interior. Os edifícios permanecem baixos, mas engorda dos lados e se esparrama pelo subúrbio. Precisa de algumas plásticas e reformas. Mas e a verba? Sumiu com o superfaturamento.
Mas cantemos parabéns. Vamos assoprar as velinhas e apagar o último escândalo. A festa não tem brigadeiro. Mas tem panen et circenses. E de bolo em bolo, tudo termina em pizza.
Brasília, desculpa. Sei que não tens parte nas barbaridades que fazem sob tuas asas. "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23:34).
Se és patrimônio da humanidade, és também tesouro em nossos corações. E aprendemos a te amar pela tua arquitetura, tua heterogeneidade étnica-racial-regional-sexual, e por teu céu límpido como águas cristalinas.
Brasília, obrigado por seres a cidade em que nasci.
Escrito por Dígito às 08h38
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muros [TTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTT]
Os muros nascem quando a cidadania está perdida. Quando não há mais diálogo nem perdão. A intolerância em cada tijolo. O muro se faz cimentado por ódio e rebocado por murros.
Os muros estão farpados e as mãos sangram. O horizonte está cercado. As famílias se escondem atrás das grades, fechaduras e cadeados. Mas ainda canta o sabiá.
Os olhos estão com medo. Armas e cacetetes nas mãos. Viver é muito perigoso...
Escrito por Dígito às 08h07
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date(índio);
Somos todos índios. Alguns bons selvagens. Outros apenas caras pintadas como palhaços pelo homem branco.
Estrangeiros ainda invadem nossas terras. Pelo ar, pela terra, pelo mar. Por ideologias, por grifes e tecnologias. E nos compram com espelhos e bijouterias. Fantasiamo-nos de reis e não conseguimos enxergar o próprio ridículo. Deixamos nos roubarem, extorquirem-nos, escravizarem-nos e pensarem por nós. E pagamos nossas dívidas com royalties, patentes, prostituição, tráfico de drogas, armas, orgãos e crianças.
Mas vamos comemorar todos juntos. Caboclos, mulatos, cafuzos e mamelucos. Acendamos uma grande fogueira porque a luz da estrela se apagou. É outra mentira. Uma fábula do passado. Meio milênio de subserviência ao velho mundo.
Onde estão os arcos e as flechas?! Quando soarão novamente os tambores?!
Escrito por Dígito às 07h48
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